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O Legado de Luca Pacioli: Um Guia Histórico das Partidas Dobradas

Publicado em 24/08/2016

Quem de alguma maneira vive o mundo contábil, seja estudante, profissional, simpatizante, enfim, já ouviu falar de Luca Pacioli, o Pai da Contabilidade. Agora, você sabe quem realmente ele foi e o que fez para ter tal reconhecimento? O Fato é que Luca Pacioli deixou um legado de ensinamento e divulgação da técnica mais utilizada até hoje para registro contábil: as Partidas Dobradas.

 

O objetivo desse artigo é responder as seguintes perguntas:

 

-> O que Luca Pacioli fez para ser considerado o Pai da Contabilidade?

-> O que é e como surgiu as Partidas Dobradas?

 

Para começar, Pacioli não foi o primeiro Contabilista tampouco o criador das partidas dobradas como muitos acreditam, haja vista que não há comprovações para isso. Pacioli foi o autor da primeira obra (na verdade, um capítulo da Obra), na qual ensinava as partidas dobradas como técnica aplicável as empresas comerciais.  E foi pela edição de sua obra, que desenvolveu-se estudos e obras posteriores sobre as técnicas contábeis e isso de fato contribuiu para o reconhecimento da Contabilidade como ciência e permitiu tudo isso chegar aos dias de hoje.

Luca Pacioli nasceu em Sansepolcro, província da cidade de Arezzo, na região da Toscana, na Itália, por volta de 1445;  na região em que vivia, apoiava- se a cultura, a união entre os recursos financeiros e intelectuais e realizava- se ações em favor da evolução intelectual e foi nessa mesma época onde mais se formou gênios da humanidade; tornou-se amigo de Leonardo da Vinci; escreveu sua primeira Obra aos 25 anos e aos 49, editou a

Súmula de Aritmética, Geometria, Proporções e Proporcionalidade e o capítulo que tratava das partidas dobradas: Tratado XI Particular de Computação e escrita.

 

As Partidas Dobradas: a evolução do registro contábil pela preocupação do homem em guardar na memória algo de forma organizada.

 

lucaAtualmente, conhece- se as partidas dobradas como um sistema de registro utilizado para representar os valores das operações patrimoniais, estas representadas pelas contas. Há relatos que a prática de registrar o patrimônio em contas existiu antes mesmo da escrita e do conhecimento dos cálculos, o que pode ter surgido pelas primeiras preocupações do homem em guardar na memoria algo, de forma organizada. Assim acredita- se que as partidas dobradas é uma evolução das técnicas de registro rudimentares.

A técnica disseminou-se em uma época na região da Itália entre os anos de entre 1250 e 1280, onde a cultura predominava e as transformações do sistema de governo sofria lutas e transformações. Foi com o rompimento do sistema feudal que deu início aos “anos de luz”, onde iniciou-se a luta pela implementação do pensamento racional e intelectual como integrante da cultura e do progresso da sociedade.  Esse pensamento de Frederico (1194- 1250) foi o que inspirou as administrações italianas dos séculos XIV ao XIV.  Até aqui é interessante notar que essa técnica mãe da Ciência Contábil desenvolveu-se nesse momento onde o intelecto e a e cultura era difundida como instrumento para o Progresso da sociedade.

A filosofia das partidas dobradas dá- se pelo reconhecimento de que toda operação patrimonial possui uma causa e um efeito, uma partida e uma contrapartida, um lado “meu” e “seu”, um “dever” e um “haver” enfim,  um débito e o  crédito.

Hoje em dia, o ato de lançar débitos e créditos nas contas contábeis, didaticamente é representado pelos razonetes- representação gráfica do livro razão em forma de T e cada lado do T representa os débitos e créditos da respectiva conta. Nesse sentido, o contexto histórico é que a técnica foi fruto de um método de contabilização tabular, onde nas páginas dos livros de registro das operações patrimoniais existiam divisões, o que sinaliza a origem das colunas de débito e crédito para cada conta.

Alguns ainda acreditam que houve a evolução das partidas simples para as dobradas. O que mais sustenta essa segunda linhagem é o surgimento do crédito como uma contrapartida da conta caixa, para representar “o crédito do sócio” perante a companhia. Esse “crédito” perante a companhia é considerada uma influencia capitalista de distinguir a figura do sócio da figura da empresa. Enxerga- se também como uma possível origem da figura da pessoa jurídica e quem sabe, uma influência inicial para o princípio da Entidade.

O fato é que o ato de registrar o patrimônio é tão antigo que existem poucas comprovações para explicar de fato como chegamos até aqui. Porém, o que podemos considerar válido é que os antepassados construíram bases importantíssimas e só é possível viver os avanços que a Ciência Contábil têm alcançado, graças a eles e em especial à Luca Pacioli, que difundiu a técnica mais utilizada até hoje.

 

Referência: SÁ, ANTÔNIO.Luca Pacioli um mestre do renascimento.2ª ed. Fundação Brasileira de Contabilidade: Brasília, 2004. 196p.

É... foi um bom artigo, não? ;)
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Sobre o Autor
Gabriela Cunha é Graduada em Ciências Contábeis e pós graduanda em Tecnologias da Informação e Comunicação. Atua como articulista do Portal Ciências Contábeis e no Programa do Voluntariado da Classe Contábil (CFC), com ações de Educação Financeira.