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Planejamento: Traçando o caminho para o sucesso do negócio

Com certeza todos nós sabemos a importância do planejamento. É algo que convivemos, desde um simples planejar na ida a um restaurante ou até mesmo uma viagem familiar. Para evitar problemas durante qualquer situação, a elaboração de um adequado planejamento se faz necessário. O mesmo é realizado no intuito de otimizar os atos com o objetivo de alcançar determinado fim.

Poderíamos dizer que planejar seria um grande passo para uma trilhada mais confortável, na qual saberá aonde se quer chegar. Interessante ressaltar que uma trilha mais confortável não quer dizer que o caminho será fácil, mas dizer que as variações que ocorrerem poderão ser ultrapassadas de forma mais imunes a quedas diante de tais circunstâncias.

No meio empresarial não é diferente. Primeiramente pela necessidade de uma referência ou mesmo um caminho traçado para seguir, tendo em vista a complexidade de um negócio. No entanto, existe um tabu quanto à elaboração de uma planificação em determinados ramos de atividades, assim como sua elaboração diante de um porte menor de empresa.

O grande erro está na condição do dimensionamento da empresa para elaboração de um planejamento. Qualquer empreendimento que não haja um direcionamento para sua elaboração estará exposto à imprevisibilidade do negócio. É certo dizer que o simples planejar não será garantidor do sucesso, mas uma ferramenta direcionadora do mesmo.

O Plano de Negócio, o carro chefe de qualquer planejamento empresarial, consiste em um documento que, elaborado em conformidade com o tipo de negócio, vai direcionar os passos para os objetivos da empresa. Com sua elaboração, os riscos do empreendimento e suas incertezas diminuirão. Sua introdução se dá na explicativa de como funciona o negócio, passando, depois, a especificar quanto vai ser necessário de recursos para sua constituição e andamento além de um detalhado estudo do mercado. Ele será dinâmico, isto em acordo com o caminhar da empresa.

O grande questionamento de quem abrirá ou aplicará mais recursos na empresa é se, realmente, vale a pena abrir, ampliar ou, até mesmo, manter o negócio. Bom, aí está uma das grandes importâncias do plano. Ele demonstrará se o projeto é viável, ou não, e trará uma gama de informações a respeito de produtos e serviços que irá oferecer,quem serão seus clientes, fornecedores, concorrentes e a ferramenta Análise SWOT, que verificará as forças e fraquezas, cenário interno, da empresa e buscará verificar as oportunidades e ameaças, cenário externo.

Os principais pontos  na elaboração do Plano de Negócio são:

  • DADOS DO EMPREENDIMENTO: Abordagem da missão, visão e valores da empresa; Setor de atividade; Forma jurídica. Enquadramento tributário.
  • PLANO DE MARKETING: Quais os principais produtos e/ou serviços; Mercado de atuação: Analisará os clientes, concorrentes e fornecedores; Localização.
  • PLANO FINANCEIRO: Capital a ser investido; Estimativa de faturamento e custos/despesas; Indicadores de viabilidade: Ponto de equilíbrio; lucratividade; Rentabilidade; Payback.
  • ANALISE SWOT.

Vamos analisar cada um destes pontos. Esses itens não são exaustivos, um Plano deve ser bem detalhado, isso para que todos os aspectos de um empreendimento possam ser abordados.

1 –  DADOS DO EMPREENDIMENTO: 

Abordagem da missão, visão e valores da empresa; Setor de atividade; Forma jurídica. Regime tributário

Neste item, deve ser descrito, de forma sucinta, o que será o negócio, quais os motivos, as oportunidades que levaram a sua constituição. Elaborar a Missão da empresa, a visão e os valores que a mesma cultivará.

Missão consiste em definir o propósito da sua existência. Peter Drucker diz que “Uma empresa não se define pelo seu nome, estatuto ou produto que faz; ela se define pela sua missão. Somente uma definição clara da missão é razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas os objetivos da empresa.” Exemplos de Missão: Banco Bradesco S. A: “Fornecer soluções, produtos e serviços financeiros e de seguros com agilidade e competência, principalmente por meio da inclusão bancária e da promoção da mobilidade social, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a construção de relacionamentos duradouros para a criação de valor aos acionistas e a toda a sociedade.” Sonunes Contabilidade (Sn Contabilidade): Assessorar as empresas, além de promover treinamentos e cursos na área, oferecendo ao mercado o serviço de excelência, firmando-se por sólida reputação e tecnologia, em parceria com seus colaboradores, fornecedores e clientes, aliando preceitos éticos e de valorização humana a uma rentabilidade compatível com o ramo e com os riscos empresariais implícitos.

A visão de uma empresa é um meio de evoluir nas capacidades individuais e organizacionais. Define as intenções de onde a empresa deseja estar no futuro. Já os valores, correspondem relatar o que é importante para a empresa. Pode ser utilizado como um regimento interno, no qual todas as partes interessadas deverão ser norteadas por esse modo ético comportamental.

Também deverá deixar claro, no documento, qual o setor de atividade: se primário; secundário; terciário. Além de definir sua forma jurídica: Microempreendedor Individual (MEI); Empresário Individual; Empresa Individual de Responsabilidade Limitada; ou sociedades. E, por fim, qual o regime tributário: Simples Nacional; Lucro Presumido ou; Lucro Real.

2- PLANO DE MARKETING: 

Quais os principais produtos e/ou serviços: Os produtos e serviços deverão ser especificados e descritos no Plano de Negócio, deixando evidentes quais os diferencias frente aos concorrentes, quais serão suas vantagens e desvantagens. 

Mercado de atuação: Analisará os clientes, concorrentes e fornecedores: Importante etapa do Planejamento, a definição dessas três partes interessadas é ponto crucial. O cliente é o consumidor dos produtos ou serviços oferecidos. Com os dados em mãos, a empresa poderá agir de forma direcionada atendendo as necessidades do seu publico alvo, como compram e sua frequência. Ajudará na elaboração de estratégias competitivas; A análise dos concorrentes trará as informações que poderão se tornar oportunidades, através das necessidades dos clientes que não vem sendo atendidas pelos mesmos. Identificar quem são os fornecedores e manter na lista de contatos é relevante, pois são os repositores dos produtos que atenderão aos propósitos do empreendimento. A empresa terá que ter uma relação dos  que “possuam as condições necessárias para fornecer dentro das quantidades desejadas, com a qualidade desejada, no menor tempo possível e ao menor custo possível.” (DIAS, 1993)

Localização: Ponto fundamental para o sucesso do negócio, a localização é definida depois do estudo de mercado. Primeiramente deve analisar quem é e, principalmente, onde está o seu consumidor, para depois, de forma estratégica, definir a localização. Para decidir entre um local ou outro, alguns pontos devem ser respeitados. A depender do produto ou serviços oferecidos são indispensáveis: estacionamento; higiene e segurança; infraestrutura para descarga e carga de produtos; facilidade de acesso; proximidades com concorrência, a depender do caso pode ser interessante estar perto; visibilidade, ruídos, etc. 

3–PLANO FINANCEIRO: 

Capital a ser investido: Nesta etapa, deverá ser feito uma estimativa do capital a ser investido. Nele deve conter os custos de instalação e equipamentos, valores dos investimentos fixos, montantes de recursos necessários para o funcionamento normal da empresa (capital de giro) e valores necessários para os investimentos pré-operacionais. 

Estimativa de faturamento e custos/despesas: Deve ser multiplicado o seu preço de venda pela estimativa de venda dos produtos e/ou serviços, no mínimo dos 12 meses. Para elaboração de preço de venda deve ser observado o quanto seus clientes estão dispostos a pagar, o preço dos concorrentes e o custo de produção.

Deve ser elaborada, também, uma estimativa dos custos e despesas necessárias para manter a empresa em funcionamento. Neste cálculo deverá entrar todos os custos e despesas relacionadas, como: Matérias primas, impostos e encargos trabalhistas, funcionários, publicidade, comissões de venda, depreciação. Importante discriminar as despesas dos custos, além de despesas e custos variáveis e fixos, e os custos diretos dos indiretos.

Indicadores de viabilidade: Ponto de equilíbrio; lucratividade; Rentabilidade; Payback

O PONTO DE EQUILÍBRIO indica o quanto é necessário faturar para cobrir todos os seus custos em um determinado período. Ele é obtido através da seguinte formula:

PE = CUSTO FIXO / ÍNDICE DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO;

Já o índice a margem de contribuição é obtido como demonstrado abaixo:

IMC = MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO {RECEITA TOTAL – (CUSTO VARIÁVEL + DESPESA VARIÁVEL)} / RECEITA TOTAL

A LUCRATIVIDADE é um indicador que evidencia  a eficiência operacional da empresa. Uma boa lucratividade trará condições para investimentos. Para seu calculo precisa ser utilizado uma DRE (Demonstração do resultado do exercício), na qual terá os dados do faturamento da empresa que, deduzido dos custos e despesas, apresentará o seu lucro liquido.  Com isso, para obtenção da Lucratividade precisa dividir o lucro liquido pelo faturamento. Exemplo:

Faturamento da empresa: R$ 10.000,00

Lucro Líquido da empresa: R$ 3.000,00

LUCRATIVIDADE: 3.000,00/10.000,00 = 0,30 = 30%

Do exemplo, temos que, dos R$ 10.000,00 faturados pela empresa, sobram R$ 3.000,00, isso depois das deduções de custos e despesas. Podemos dizer que, de cada R$ 100,00 arrecadados, a empresa gera R$ 30,00 de lucro líquido.

Dando sequência, verificar que a empresa é Lucrativa mas não tem RENTABILIDADE  é notar a inviabilidade do negócio. A importância da RENTABILIDADE está em medir o quanto que o negócio paga sobre o investimento realizado. É considerado um indicador de atratividade.  Com ele pode-se até verificar se é mais viável ou não a aplicação do investimento em uma caderneta de poupança, CDB, dentre outros.

Para obter os dados, o empreendedor deve dividir o montante de investimento pelo lucro estimado da empresa. Exemplo:

Rentabilidade = Lucro Líquido/Investimento Total x 100 

Lucro líquido: R$ 20.000,00/Ano 

Investimento Total: R$ 50.000,00 

Rentabilidade: 20.000,00/ 50.000,00 x 100 = 40% 

Nesse exemplo, temos que os R$ 50.000,00 investidos trarão de retorno R$ 20.000,00 anualmente, ou seja 40% do valor investido.

Por fim, o PAYBACK, outro indicador de atratividade, é o inverso do calculo da rentabilidade, ou seja, nele é feita a divisão do investimento pelo lucro líquido, demonstrando o tempo que o empresário terá o valor investido. Com os dados do exemplo a cima, temos:

Payback: 50.000,00/20.000,00 = 2,5

Quer dizer que, o investimento realizado de R$ 50.000,00, seria recuperado em dois anos e seis meses. Com isso o investimento é atrativo.

5- ANALISE SWOT

A análise SWOT é parte do planejamento no qual será analisado o cenário em que a empresa está inserida. Sigla que significa Strenghts (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças), a Matriz SWOT é uma importante ferramenta que contribuirá para melhor adequação dos ambientes internos e externos. Do ponto de vista do Ambiente Interno as forças e fraquezas devem ser medidas para que possam ser melhores aproveitadas, no caso da primeira, e sanadas, a segunda. As forças estão relacionadas aos pontos fortes da empresa. Quais os pontos internos que podem trazer benefícios para o negócio? Esta pergunta deve ser respondida com observância no real benefício que esses pontos trazem. Ex: Localização privilegiada; qualidade dos produtos/serviços, bom atendimento. Já os pontos fracos, devem ser sanados, pois os mesmos atrapalham o desenvolvimento do negócio. Ex: Equipamentos tecnológicos obsoletos; funcionários descomprometidos; falta de estacionamento.

No que diz respeito ao Ambiente externo, que são variáveis que afetam a empresa de fora para dentro, o mesmo deve ser analisado pelas oportunidades e ameaças. As Oportunidades são situações que podem ocasionar fatores positivos na empresa. Ex: Preferência de consumidores; Nova Lei que beneficie a empresa. As ameaças, ao contrário do anterior, atrapalham a empresa podendo dificultar, momentaneamente, ou até ocasionar o fim da empresa. Ex: Novos impostos ou aumento de alíquotas; concorrência; catástrofes naturais.

 

Por fim, esses pontos abordados do Plano de Negócio não são exaustivos. Aqui foi feita uma pequena explanação dos principais itens que devem conter no mesmo. Importante fator de sucesso na empresa, o planejar não pode ser encarado como algo desprezível, seja qual for o ramo de atividade ou o porte do negócio. Certo é que, o diferencial de uma empresa começa no seu planejamento, depois disso, a execução, com controle, que demonstrará como está seguindo no percurso, e com as correções, que fará alcançar os objetivos.

É... foi um bom artigo, não? ;)
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Sobre o Autor
Emerson Nunes é bacharel em Ciências Contábeis, especialista em controladoria,perícia e auditoria contábil, atua como contador e consultor empresarial. Sócio gerente na Sn Contabilidade.