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contabilidade

A Importância da Gestão dos Estoques – Parte II

Publicado em 02/01/2015

Dando continuidade ao texto anterior (clique aqui) – no qual falamos sobre políticas e importância dos estoques –  falaremos agora sobre os controles dos estoques e métodos de apuração do custos

Controle dos estoques

O grupo de contas estoques é de grande importância no contexto do Balanço Patrimonial e os efeitos das suas variações são imediatamente refletidos no Patrimônio Líquido. Daí a necessidade de apresentar sua movimentação na Demonstração do Resultado do Exercício, principalmente de empresas comerciais, em que os estoques tendem a ser o item de maior valor e de mais intensa movimentação.

Tendo em vista o porte da empresa e seu ramo de atividade é preciso decidir sobre manter posição sempre atualizada de estoques ou apenas verificar as existentes no final do exercício, oportunidade em que os resultados devem obrigatoriamente apurados. Existem dois sistemas de controlar contabilmente o valor dos estoques: o periódico e o permanente.

Permanente

O sistema de inventário permanente consiste em manter controle contínuo das entradas e saídas de mercadorias (em quantidade e valores) de maneira que, a qualquer momento, se disponha da posição atualizada dos estoques e do custo das mercadorias vendidas. Esse sistema é essencial para as empresas que possuam um valor expressivo de estoques, além de ser muito útil para fins gerenciais.

Na realidade, o sistema de inventário permanente nada mais significa do que manter fichas de controle de estoques individuais para cada item que o compõe, identificando a quantidade, os valores unitários e o valor total.

Inventário Periódico

O sistema de inventário periódico consiste em registrar todas as compras efetuadas durante o exercício numa conta cumulativa, sem apurar o custo das mercadorias vendidas após cada uma das operações de venda. Somente no final do exercício é inventariado o estoque existente (estoque final) e apurado seu respectivo valor. A partir daí, pode ser calculado o custo das mercadorias vendidas.

Apuração do custo

Inicialmente, cabe destacar que são componentes do custo de aquisição, além do valor da mercadoria, os custos incorridos para colocar o produto no estabelecimento da empresa; dessa forma, os custos com frete e seguros sobre compras integram o custo de aquisição.

Além disso, os impostos não recuperáveis, a exemplo do Imposto de Importação, as despesas aduaneiras, os custos com despachantes e o Imposto sobre Operações Financeiras incidentes sobre a operação de câmbio integram o custo de aquisição.

Uma vez conhecidos os componentes do custo de aquisição, deve-se definir qual o preço unitário que deve ser atribuído aos estoques na data de encerramento das demonstrações, uma vez que os produtos foram adquiridos em datas distintas a preços também distintos.

Nesse sentido, existem diversos critérios para determinar o valor dos estoques em determinada data, bem como o custo das mercadorias vendidas. Os principais e os mais frequentemente empregados são:

  • First-In-First-Out (FIFO) ou Primeiro a entrar, primeiro a sair (PEPS)

Esse critério consiste em utilizar o custo das compras efetuadas em primeiro lugar para valorizar as quantidades vendidas e, dessa forma, obter o valor do custo das mercadorias vendidas; para isso é necessário proceder a um controle por lotes de compras. Assim, à medida que ocorrem as vendas dá-se baixa das primeiras compras, o que significa dizer que a ordem de saída das mercadorias (vendas).

  • Last-in-first-out (LIFO) Último a entrar, primeiro a sair (UEPS)

Esse critério consiste em utilizar o custo unitário das mercadorias compradas por último para valorizar as quantidades vendidas, obtendo dessa forma o custo das mercadorias vendidas; para isso é necessário proceder a um controle por lotes de compras. Esse sistema estabelece ordem de saída contrária à do sistema anterior, atribuindo como custo das mercadorias saídas o valor da última mercadoria que entrar.

  • Média Ponderada

Neste método, as vendas são custeadas pelo custo médio do estoque, não importando quando ocorreram as primeiras ou as últimas compras. É um método onde se calcula várias vezes durante o período, o estoque da empresa a cada compra realizada, de modo a se ter sempre um custo atual destes estoques.

O método Ueps é o que mais se aproxima ao preço de mercado, pois toma como base o preço da última compra, entretanto, não é aceito pela legislação, embora, em épocas inflacionárias, é o que se aproxima mais da realidade. O método Peps, apesar de aceito pela legislação fiscal, apresenta um custo das mercadorias vendidas menor que o apurado pela média móvel ponderada, por isso pouco utilizada. A Média Ponderada é o critério mais utilizado no Brasil, pois evita a necessidade de controle de custos por lotes de compras.

Referência

SANTOS, José Luiz dos. et al. Manual de Práticas Contábeis: Aspectos Societários e Tributários, 2007.

É... foi um bom artigo, não? ;)
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Sobre o Autor
Contadora formada pela UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros, Pós-Graduada em Gestão Empresarial e Gestão de Pessoas. Atualmente trabalha na Coordenadoria de Execução Orçamentária e Financeira do IFNMG e Professora de Contabilidade, Administração e Escrita Fiscal na Microlins